A psicoterapia e sua prática

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Daniel Cordeiro Cardoso é Psicólogo e Professor, CRP 06/73534, Mestre em Educação Sexual e Especialista em Psicoterapia Clínica Junguiana.

Em termos gerais, a palavra psicoterapia significa tratamento da alma e contempla o “termo genérico que engloba todo tipo de tratamento ou de tentativa de ajudar as pessoas a se beneficiarem ou a se curarem de algum desconforto através da palavra. A psicoterapia é, então, a cura através da palavra. Ou mesmo, seria a cura por meio de outras estratégias que não envolveriam medicamentos” (Gikovate, 2013).

Contudo, tal prática exige um modo de pensar específico, cujas características demandam olhares que irão sempre em direção a cuidados de ordem subjetiva. Para tanto, o psicoterapeuta (psicólogo, psiquiatra, psicanalista) segue um vasto referencial teórico-prático, pelo qual constrói seu repertório pessoal/profissional por meio de cursos de pós-graduação, grupos de estudo, leituras, bem como outras buscas de seus gostos pessoais, em que toda vivência cultural ou expressão artística possa revelar a estética humana; sem contar o seu treinamento pessoal, realizado através da sua própria psicoterapia e/ou supervisões com colegas mais experientes; e tudo isso com um único intuito: ajudar ou aliviar pessoas que os buscam em seus consultórios.

A psicanálise – modelo pioneiro de psicoterapia – foi desenvolvida por Sigmund Freud no início do século XX, e postula, em síntese, a existência de conteúdos inconscientes no psiquismo.

Atualmente, existem também outras psicoterapias, das quais muitas delas formam um conjunto de técnicas e teorias desenvolvidas a partir da psicanálise. Estas “novas” psicoterapias não surgiram ao acaso. Atenderam – e ainda atendem – aos apelos de uma sociedade cada vez mais perdida no que diz respeito às relações/emoções.

A partir da revolução industrial, alguns fatos ocorridos na metade do século XX impactaram sobremaneira a sociedade ocidental. As mulheres, as crianças, os idosos, os negros, os trabalhadores, os homossexuais começaram, enfim, a vislumbrar os seus direitos. Por outro lado, instituições, antes intocáveis como casamento, igreja e política, começaram a ser questionadas.

No centro deste cenário antes conservador, agora mais generoso, surgiram, então, as psicoterapias de casal, de família, de grupo, e, sobretudo, as psicoterapias individuais, que passaram a ter um caráter mais breve e acessível.

Eis alguns modelos de psicoterapia disponíveis atualmente, agrupados por afinidade:

• Psicanálise Clássica / Psicanálise Contemporânea / Psicoterapia Clínica Junguiana;

• Psicoterapia Cognitiva Comportamental/ Análise do comportamento;

• Psicoterapias Existencialistas / Psicoterapias da Percepção (Gestalt);

• Psicoterapias Humanistas / Psicoterapia Transpessoal;

Em qualquer uma das propostas acima, entretanto, é necessário que haja as seguintes características:

• Criação de um microcosmo por meio da relação terapêutica que seja: acolhedor, ético, transparente, imparcial (espaço terapêutico = laboratório afetivo), ou seja, um “espaço” que promova um canal em que os pacientes/clientes possam comunicar seus sentimentos;

• Investigação e percepção, junto ao paciente/cliente dos seus fatos psíquicos, sua existência ou seu comportamento;

• Reflexão junto ao paciente/cliente sobre algumas hipóteses diagnósticas para o seu sofrimento atual, a fim de ajudá-lo a buscar o melhor caminho para ele.

Enfim, psicoterapia não é bate papo, tampouco é prática de mero aconselhamento. É prática consagrada, e qualquer que seja o seu horizonte, sempre atenderá aos ditames da ciência. Contudo, há para mim um ponto convergente, e para exprimir isto, cito Cora Coralina: “Mas, sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas”. Acredito que o/a psicoterapeuta que sentir isso profundamente, fazendo as “tarefas de casa” mencionadas acima, há de realizar a psicoterapia com qualidade.

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